Parece que você não efetuou o “login”, ou não é registrado. Cadastre-se, é gratuito. CLIQUE AQUI
 
Conto Celta Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Diversos

Escrito por Luiz Rosa JR.
(0 votos, média de 0 em 5) "Caso queira votar neste texto, clique de uma a cinco estrelas"

Sex, 21 de Novembro de 2008 09:26
Assim cantou o Cavaleiro trobador a Sua Senhora:
"Eis que o Vento Norte rugi e apavora
Perpassando por entre a relva afora. . .
Ouço nele vossa voz que confesso:
Arrepia-me, e rever-te ao Vento peço."


Em suas andanças pela floresta e pelo domínio de mais um feudo o Cavaleiro e General lusitano Dom Enrico de Valenciano vai junto à demanda do Rei e comitiva a cantar saudades da terrinha que já por sinal se fazia cada vez mais distante. Em sua lembrança uma voz terna e perturbadora via-lhe a mente, era a única da lembrança latente o suficiente para não lhe fazer o sangue congelar como os pequenos rios aos arredores. O nome da lembrança de Enrico chamava-se Bárbara, mulher nebulosa e de mãos doces - assim a chamavam. Bárbara era uma simples camponesa e singular moradora de um simplório casebre em território dantes habitado por pagãos celtas, a moça sem dúvida carregara no sangue e veias a herança mística e liberta de seus ancestrais, alguns dos aldeões a denominavam bruxa segundo seu costume familiar de colher e lhe dar com ervas curadoras. O povo daquele condado fazia o julgo por coisas tão insignificantes, e com certeza ficava à espreita para um simples deslize dela ou motivo ou prova para considerá-la bruxa em Tribunal Eclesiástico e enfim levarem-na a fogueira. Enrico temia o que podia acontecer, pois as pessoas daquele lugar não compreendiam o que Bárbara verdadeiramente era, isto estava inda muito distante de ser possível naqueles anos sombrios e de temor inquisidor, a pobre simplesmente revivia os costumes de seus antepassados, povo que fora cruelmente massacrado e subjugado sob tortura segundo as leis de seus Senhores.

Ela queria apenas girar e girar, fazer e refazer círculos no campo, e cantava uma suave canção numa língua desconhecida por eles, mas acolhida por ela, o vento a ouvia, as arvores a ouviam, os pássaros a ouviam, o campo a ouvia, e tudo que respirava vida e natureza. A Mãe-Natureza sem dúvida estava com ela e era ela quando seu espírito se manifestava a ponto dos ventos confundirem-se. Foi em um desses giros por entre o bosque num outono quase sem luz que Enrico a contemplou pela primeira vez e se apaixonou perdidamente, sentiu-se arrebatar e girar com ela, queria estar sempre em sua companhia, dormir eternamente com suas canções ao sopro no ouvido e acordar com suas albas à gaita-de-foles.

Outra vez Dom Enrico a contemplou enquanto docemente sua donzela tocava e volvia em arpejos sua velha harpa, volvia (. . .), e volvia (. . .), e movia cordas até que então ele não contentou-se e saiu por detrás da árvores onde se escondera ousando aproximar-se dela. Bárbara parou de tocar num estalo e os dois fitaram-se como se talvez se conhecessem e compartilhassem duma amizade à séculos, depois foi um olhar de estranhamento e desejo. Em frente um do outro um nobre e uma serva ou era ele um servo e ela uma nobre.

Bem, lembrou disso Enrico em sua jornada, num cavalgar dolente que significara a morte já que estava sem sua Bárbara, por que a deixara, por que a abandonara, sendo fiel ao que não era vida declarando guerra a si mesmo e ao seu coração. O cheiro dela lhe vinha feroz na velocidade do vento defronte, era um aroma dos demais enfeitiçantes, encantadores, e pensou em voltar, mas contestou seu ideal de Real Soldado: "Morrer pelo Rei e pelo Estado". Ousou então girar e voltar em desvario à cavalgadas absurdas e enfim sentiu o aroma dela nas cinzas pelo vento livre (. . .), e livre (. . .), para sempre em suas jornadas o acompanhar.



Crie um banner deste artigo em outros sites


Para criar um banner deste artigo em outro site,
copie e cole o texto abaixo em sua página.




Visualizar :

Conto Celta
Sex, 21 de Novembro de 2008

© 2010 - Autores.com.br


Última atualização em Sex, 21 de Novembro de 2008 16:14
 
Comentários (0)
Somente usuários registrados podem comentar!