e minhas letras vão brilhar,
sozinhas, elas vão procurar
outros olhos para lagrimar,
outro peito, para tremelicar...
outro silêncio para elucidar,
outra depressão para musicar,
outra agonia para sangrar...
--- Sim, quem sabe se, amanhã eu morro,
quem sabe amanhã, vou me matar
e minhas letras vão brilhar
sozinhas, querendo se esconder
dos olhos sorridentes a elas roer,
dos lábios ardentes a delas dizer
dos corações tão aflitos a bater...
das mãos suadas em nelas ter...
das madrugadas em versos de sofrer...
das homenagens póstumas em meu apodrecer...
--- Sim, quem sabe se, amanhã eu morro...
e todos os corações irão me reconhecer,
quando quebrados, sangrarem sozinhos,
quando dilacerados, aos pedaços caírem
pelas tamancas, pelos tantos caminhos...
pelos tantos passados sem nada sentirem
além do vazio de um quarto trancado...
além do pavio de rápido brilho... apagado.
Amanhã quem sabe eu morro... e serei coroado.
E serei lembrado, e serei chorado...
e serei imortalizado... e serei ensinado...
amanhã tanto serei
pois sim, eu já estarei
morto e enterrado.
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